Sim. Eventualmente trabalho com gestantes ou pais que estão com seu bebê ainda no berçário, mas isso não é muito freqüente, pois muitos profissionais desconhecem este tipo de trabalho. Os hospitais que têm psicólogos na unidade materno-infantil também provêem algum tipo de trabalho, mas, raramente têm um programa mais especializado, a não ser que seja um hospital de referência para nascimentos de alto risco. Isto se dá porque, não se investe muito em um tipo de atendimento, quando a freqüência do mesmo é muito baixa. Por isso, deveriam existir serviços “volantes” especializados. Equipes especializadas que pudessem atender em diversos hospitais e outros espaços para as gestantes, principalmente no âmbito da saúde pública.
O momento da notícia, como é chamado por pais e profssionais da área, o momento que é comunicado aos pais o diagnóstico da síndrome do bebê representa um momento de extrema importância para os pais ao longo da vida dos filhos, visto que várias pesquisas citam que o pai e a mãe lembram-se com riqueza de detalhes, mesmo após longos anos, a maneira com a qual lhes foi colocado o diagnóstico do filho. Os profissionais de área de saúde parecem pouco preparados para lidar com esta realidade, tanto em termos de informação para orientar aos pais, quanto em termos afetivos, pois com freqüência vemos que ficam tão perplexos quanto os próprios pais sem saber como abordar a questão. Segundo, pesquisas que realizamos com os próprios pais, o “ideal” seria que o profissional pudesse dar a notícia na presença do casal, para que possam se apoiar e para que não caiba a apenas um deles a dura tarefa de dar a notícia para o outro em um momento tão difícil. A presença do bebê quando possível também é vista como um fator de grande importância, pois observamos, através da nossa pesquisa que para aqueles que puderam ter um contato com o bebê anterior a notícia da síndrome a vinculação inicial com o bebê e a própria amamentação ao seio se deu de maneira mais fluida.